13 de jan de 2017

O Tiozão do Cinema: Eu fui assistir o Filme EuFicoLoko (Crônica)


Por Anderson Calandrini

Estava perdido em casa, em uma tarde de sexta-feira 13, assistindo uma série de matérias jornalisticas na internet quando minha mulher me avisou que depois do trabalho iria para um happy hour com as "migas" do ensino médio.

Foi aí que pensei como todo homem casado de 25 anos pensaria nesses momentos. Convidar os amigos para bilhar? Ir para um Barzinho? Jogar Bola?. Não. Fui para cinema sozinho assistir a comedia adolescente mais bombada do momento. O filme Eu Fico Loko. E pode parar de me julgar, o que tem de mais em ter um gosto para filmes meio desviado. O importante é ter saúde.



Mas o preconceito é bem maior do que pensei. Primeiro tinha de arranjar um jeito de comprar o ingresso sem levantar muita suspeita. E enquanto estava na fila do ingresso do cinema observei que haviam três pessoas atendendo na venda de tickets (Dane-se, pode me chamar de antiquado, mas comprei tickets mesmo. Precisei de um sinônimo para a palavra ingressos). 

Agora, voltando ao assunto. Na fila observei três atendentes vendendo, dois homens e uma mulher. Aí apelei para o pensamento  positivo pensando. "tomara que ela me atenda", afinal mulheres são mais sucintas e compreensivas. Engano meu.

Na fila armei minha desculpa perfeita. Pelo menos na minha cabeça fazia sentindo. Tive a sorte de ser chamado por ela e quando cheguei próximo a guichê falei. "Qual o filme da sessão mais próxima?"  "É Esse 'EuFicoLoko?". Do tipo. Quero assistir qualquer filme que vá começar o mais cedo possível. Preciso passar o meu tempo sozinho. Fingindo que não conhecia o filme, e que mesmo assim estaria disposto a assisti-lo. Sem preconceitos.

Quem eu queria enganar. Estava aguardando o filme desde a liberação de alguns teases ainda em dezembro. Tomei a decisão de assistir o filme no momento happy hour, pois até a minha esposa não estava disposta a assistir o filme adolescente no cinema, quem sabe, talvez quando saísse da telona. (não me julguem. queria assistir o filme).

E pelo visto a atendente percebeu minha desculpa. Pois no fundo dos seus olhos ela sabia de tudo. Quem eu queria Enganar?. Até percebi um "sorrizinho" no canto da boca dela quando passei o cartão para pagar o ingresso no débito. Com certeza ela estava pensando. "Quem é que ele quer enganar com essa desculpa manjada". No mínimo ela pensou. "Mais um nerd virgem que mora com a mãe e não come ninguém".

Esse era apenas o início da aventura. Logo a fila para a sessão começou a ser formada e pude observar, a distância, que os únicos com mais de 25 anos eram dois pais que acompanhavam os filhos. Então como quem não que nada, fui me aconchegando próximo de um pequeno grupo de adolescentes, que falavam sobre vídeos do youtube, mas precisamente o assunto do momento. O vídeo da Kéfera Buchmann, que misturou a palavra Deus e Masturbação em uma oração ativa e descritiva no seu canal.

Nem sabia que adolescentes daquela idade já falavam abertamente sobre masturbação, ainda mais com a presença de meninas no grupo social. Mas depois do hit do momento (Meu Pau Te Ama) dá pra imaginar onde eles conhecem, ainda cedo, com 12/14 anos, a ter esses pensamentos "sadios" (Wha That.....Sarcasm?).

Voltando mais vez ao assunto. Fui me aproximando do grupo relativamente grande, quem sabe, quem olhasse a distância não falaria. "Mais um adulto obrigado a acompanhar um adolescente em programas para a faixa etária deles". E realmente estava com cara de adulto. Já que normalmente as pessoas acham que sou mais velho, ainda mais com o cabelo grande e a barba por fazer. No mínimo pensaram duas coisas. A Positiva. "Que pena desse velho que tem de acompanhar o filho nessas sessões". Ou a Negativa. "Velho pedófilo que fica se envolvendo em programas adolescentes".

Para a minha alegria todos estavam errado. Apenas um adulto com gostos peculiares por películas da sétima arte. Quem sabe não consigo uma vaga no Orfanato da Srta. Peregrine.

Depois da entrada na sala, nada mais que uma sessão cheia de adolescentes. Não lembrava como eles gritavam e esbravejam a cada momento de tristeza ou piada. Teve até um "nerdzinho" que gritou quando rolou o tão sonhado beijo do protagonista com o par romântico. Os gritos eram intenso, não tinha visto tanta vibração desde quando o Quatro pegou a Tris na série convergente, ou quando o Jacob mostrou que havia ficado que nem o Léo Stronda, no segundo filme da saga crepúsculo. (Já Falei. Não Me Julguem)

Mas não entraremos nesses detalhes íntimos, pois o novo meme do Stronda deixariam esse texto muito grande. E meio que mexe com o íntimo de homens ínfimos ou medianos. Pelo menos uma ex-namorada dele já foi a publico desmentir a foto.

Depois desse conturbado momento restava a etapa final. Sair do cinema no meio de um monte de adolescentes, no meio de um shopping totalmente lotado, em um horário que muitas pessoas estavam aguardando para a próxima sessão. 

Nesse momento damos um jeito. Pegamos o celular fingimos que estamos fazendo algo muito importante, até se misturar na multidão e por fim voltar a rotina. Posando de consumidor assíduo de Cartola. Afinal: ♪♫♩♫♭♪ Alvorada. Lá no Morro que Beleza. Ninguém Chora, Não há Tristeza. Ninguém senti dissabor. ♪♫♩♫♭♪


















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