13 de fev de 2017

Lion: Uma jornada na propaganda do Google Earth

Por: Anderson Calandrini

Seguindo a minha jornada pelos títulos que concorrem ao Oscar 2017, no final de fevereiro, apresento o filme Lion: Uma jornada para Casa (Lion), de 2016. O filme que, traz David Patel, o famoso indiano que quis se tornar um milionário em 2008, de volta aos cinemas para outra indicação ao Oscar, tem um enredo que com certeza vai prender sua atenção do início ao fim.

O enredo é muito rentável para o cinema de filmes baseados em fatos reais. A história é sensacional, um pequeno indiano se perde na Índia, país que tem inúmeros dialetos, e por não conseguir se comunicar se perde mais ainda, parando no fim em uma casa para jovens abandonados, sendo adotado por dois australianos.

25 anos depois ele começa a sonhar com as suas últimas lembranças na Índia, passando a ver o irmão biológico mais velho lhe chamando. A inquietação começa a corroer seus pensamentos a tal ponto que suas únicas intenções passam a ser o reencontro com sua família biológica em alguma cidade pobre da Índia;

O problema é que ele não tem nenhuma pista que possa lhe levar a sua terra natal, afinal, quando ele se perdeu, ainda estava aprendendo a falar e não tinha nenhuma concepção de mundo que pudesse servir como rumo para as suas investigações. A única lembrança que lhe resta é o nome da cidade onde foi encontrado, depois de passar três dias viajando dentro de um trem, que atravessou a Índia.

E é nesse momento que entra uma propaganda pesada do Google Earth, aplicativo que pode, por exemplo, calcular a distância percorrida por uma pessoa, baseado na velocidade e pequenas noções de física. Assim o personagem principal, Saroo, consegue encontrar um raio de ação para conseguir calcular em que cidade mora a sua família biológica, partindo da última cidade onde parou na Índia, antes de ser adotado.

O Google negou que tenha forçado uma propaganda forçada do aplicativo em meio ao filme, destacando que na história real, que pode ser lida no livro (A Long Way Home), que no Brasil recebeu o mesmo nome do filme, o narrador conta a importância do aplicativo dentro do enredo da sua viagem até sua terra natal.

Mesmo com esse enredo rico o roteirista pecou um pouco com o lado psicológico do filme, forçando em alguns pontos uma dedicação excessiva para a busca do protagonista a sua família biológica. O filme também não conseguiu fazer o papel do psicológico dentro do enredo, mesmo a história tendo um bom material para poder arriscar nas lutas psicológicas do protagonista, em meio ao processo de busca da sua família.

O destaque do filme ficou para a atuação do pequeno indiano Sunny Pawar, que vive a fase criança de Saroo no filme.  Ele é indiano de Mumbai, não fala inglês, e foi escolhido entre mais de 2000 crianças que fizeram o teste para viver a primeira fase do protagonista. Mas para quem assisti o filme o pequeno ator mostrou uma ótima atuação, que rendeu várias indicações, com exceção do Oscar, que não lhe indicou como ator coadjuvante.

E além da aventura vivida no filme, o pequeno ator também não pode acompanhar a estreia do longa nos EUA em outubro de 2016, pois foi impedido pelas leis de contenção de estrangeiros dos EUA. E por pouco o menino não poderia acompanhar a premiação do Oscar, em que o filme, do qual é coadjuvante, foi indicado a maior premiação.



Claro que os empresários por trás do filme conseguiram através de influências liberar a entrada do Garoto nos EUA, para a grande premiação do cinema. Depois de resolvido esse problema o pequeno ator fez uma verdadeira turnê pelo país para acompanhar o elenco em meios a prêmios e nas avant-première do filme no país norte americano.

Avaliação da Indicação:

Me arrisco em dizer que comparados a outros filmes, o longa não tem chance de chegar próximo ao grande prêmio, mas com certeza ficará marcado pelo lançamento de um grande ator mirim ao hall de Hollywood.

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